29 de novembro: #OcupaBrasilia contra a PEC 55

No dia 29 de novembro aconteceu o primeiro turno da votação da PEC 55 (conhecida como PEC do Fim do Mundo ou PEC da Maldade, clique aqui para ver um vídeo sobre) no Senado. Caravanas de estudantes secundaristas e universitários do país inteiro se reuniram em Brasília para se somar a vários movimentos sociais e se manifestar contra a PEC. Eu fui com a caravana da Unicamp. (um agradecimento ao STU – Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp – mais uma vez ajudando na luta)

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Partimos de Campinas na segunda às 19:20, chegamos em Brasília lá pelas 8:30 e estávamos de volta em Campinas na quarta ao meio dia. Foi uma loooooonga viagem de ônibus onde várias pessoas aproveitaram para ler, fazer trabalhos e estudar, afinal estamos no período das provas finais. (e ainda tem gente que fala que estudante que protesta é tudo vagabundo) Eu aproveitei para estudar harmonia, começar minha resenha de história da música popular e ler o Teatro do Oprimido quase inteiro.

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Em Brasília deu para ver alguns monumentos ao redor da Esplanada dos Ministérios enquanto procurávamos desesperadamente um banheiro, já que ninguém nos ministérios nos deixava entrar. Falaram de tudo, que não tinha banheiro (?!), que o banheiro estava quebrado, que a gente precisava de autorização de alguém do ministério para entrar… Depois de andar bastante conseguimos encontrar banheiros químicos.

Deu para ver pessoas de várias universidades reunidas, trocar ideia com gente do país inteiro, foi incrível. Só achei que estavam todos muito dispersos em pequenos grupos até começar o ato, com concentração por volta das 16:30. Teria sido legal uma plenária ou algo assim, mas sem um sistema de som seria muito difícil pela quantidade de pessoas.

Quando começou o ato em si foi fantástico ver a quantidade de pessoas unidas. Uma lembrança que eu guardarei pra sempre foi quando a gente chegou na frente do Senado e desceu correndo o barranco. Eu tava falando que essa ideia das caravanas do país todo davam uma impressão de “batalha final” como se fosse Nárnia, hahaha, e esse momento lembrou muito isso. Mas minha ideia era uma batalha simbólica, o que infelizmente não aconteceu porque não demorou muito pra começar a voar bomba de gás pra todo lado.

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Pela primeira vez respirei o gás das bombas. Várias na sequência. É um horror, ele queima por dentro, você começa a lacrimejar, não consegue enxergar, não consegue respirar, então causa um pânico momentâneo. Mas as pessoas ao redor são todas muito solidárias. (e um agradecimento especial ao Tiago que ficou comigo o tempo todo, obrigada, Tiago)

Teve carros virados, carros incendiados, barricadas pegando fogo nas ruas. A gente começou a retroceder mas a polícia vinha atrás. Eles não tinham ordens de ficar impedindo de ocupar o Senado, eles tinham ordens para perseguir mesmo. Teve até cavalaria. A gente retrocedia e as bombas continuavam chegando.

O mais desesperador é saber que enquanto isso acontecia votavam a PEC como se nada estivesse acontecendo. Vandalismo é o que esse governo golpista ilegítimo está fazendo. Ninguém elegeu essa proposta de governo. Vândalos são esses caras que deveriam representar o povo e estão cagando pras vozes nas ruas, pra enquete do Senado sobre a PEC onde a esmagadora maioria se posicionou contra. Vandalismo é querer congelar os gastos (investimentos) com educação e saúde por duas décadas. Vândalos são esses caras que tomam coquetel enquanto estudantes e trabalhadores tomam bomba de gás na cara do outro lado da porta.

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Foto: Gisele Arthur

Eles não podem vencer pelo medo. Brasília parecia um cenário de guerra mas eu faria (farei) tudo de novo. Amanhã vai ser maior.

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