Diário de Viagem: V Jornada de Estudos em Educação Musical

Olá, pessoal! Na semana passada visitei a Ufscar para participar da V Jornada de Estudos em Educação Musical, a Jeem. Tenho visto trabalhos do pessoal da Ufscar em vários encontros, então a vontade de ir pra Jeem já era antiga. Este ano consegui me programar, aproveitando que a temática, diversidade, tanto me interessa e poderia apresentar um trabalho.

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livro que comprei

Saí de Campinas cedíssimo, peguei o ônibus das 6:30, arrumei minhas roupas às 5, não recomendo, queria ter pego roupas mais quentes, fica aí o aprendizado. (mas é porque a semana foi insana, tive prova, entrevista de emprego, apresentação de dança…)

Foi tranquilo chegar na Ufscar, saem ônibus da rodoviária e o trajeto dura uns 10-15 minutos! Muito melhor do que chegar na Unicamp, porque o único ônibus que vai direto da rodoviária faz “turismo” pela cidade… Sem falar da nova política campineira de não aceitar dinheiro nos ônibus, que acho um absurdo pra quem vem de fora! Enfim, voltando a São Carlos, a passagem de ônibus custa 2,65. Que barato!

A Ufscar tem muita área verde e fiquei um pouco confusa porque parece que tudo tem uns nomes com siglas sem explicação??? Tem o prédio TA, o SIM (ou algo assim, de informática), tem uns restaurantes PQ, TC etc. Mas é interessante como organizadora do Encontro de Educação Musical da Unicamp, para saber como as pessoas devem se sentir perdidas na Unicamp também, hehe. Aliás, deixa eu destacar que ideia sensacional o controle de frequência deles, muito mais prático do que mil listas de presença. Talvez a gente copie no próximo EEMU. =p

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Fiquei hospedada no Hostel Pura Vida, lugar super aconchegante e amorzinho, recomendo bastante. Tem um café da manhã delicioso incluso e dá pra ir a pé facilmente da rodoviária; saindo da Ufscar dá até pra descer alguns pontos antes na avenida São Carlos, a 5 minutos ou menos do hostel, bem prático.

Agora vamos à Jeem em si!

Primeiro dia

Apresentação artística

Cheguei um pouco atrasada por conta do horário do ônibus, vi o final da cerimônia de abertura e, na sequência, a apresentação artística com a Camerata Experimental da Ufscar. Foi bem bacana!

Mesa: Educação à distância a favor da diversidade

Mesa com as professoras Isamara Carvalho e Erica Viana. Tivemos um panorama da evolução do ensino à distância, começando pela troca de correspondências, passando por fitas VHS e chegando nas possibilidades múltiplas da Internet. Aprendemos um pouco sobre o funcionamento do curso EAD de Música da Ufscar, com dados e estatísticas. Esse é um assunto que me interessa bastante, já que uma das minhas áreas de estudo é a tecnologia na aprendizagem.

Partilhas

Pudemos participar de duas (dentre quatro) partilhas de conhecimento. Escolhi as partilhas “A prática musical instrumental coletiva e o idoso” e “Educação musical para sala de aula”. A primeira foi interessante, conheci o trabalho de um grupo de idosos. Queria ter escolhido a prática de coco :(

Mesa: educação musical especial

Mesa com a professora Lisbeth Soares, onde pudemos refletir sobre a inclusão de alunos com deficiências em sala de aula. Como incluir de forma efetiva e quais adaptações podem ser feitas para que isso aconteça? Inclusão não é apenas aceitar a matrícula de pessoas com deficiência na escola, não adianta realizar a atividade e deixar o deficiente sentado em um canto observando. Infelizmente já vi isso acontecer até em curso de formação de professores… É preciso reflexão e aprender a adaptar e a se adaptar.

Segundo dia

Apresentação de trabalhos

Começamos a manhã com apresentação de trabalhos. Apresentei um: “Musicalização inclusiva: adaptações para uma criança com deficiência visual em sala de aula“. Foi muito legal, as pessoas fizeram várias perguntas, gosto quando há esse diálogo ao invés de ser um monólogo. Fiquei feliz! :)

E gosto muito das apresentações de trabalho em geral, aprendo muito, tenho várias ideias e surgem muitos questionamentos na minha cabeça, além de ideias para pelo menos mais uns três trabalhos, hahaha.

Mesa: educação em sociedade

Mesa com a professora Petronilha B. G. e Silva e o professor Lennon Ferreira Corezomaé. Essa foi uma das mesas mais fantásticas que já vi. A temática é muito pertinente e a escolha dos componentes da mesa foi super apropriada. Pude aprender bastante sobre a questão do racismo em sala de aula, com relação a negros e indígenas. Inclusive, falar em “índios” e “tribos” não é apropriado, prefiram “povos indígenas”. #dik

Grupo de discussão

Participei do grupo sobre educação especial. A conversa e partilhamento de experiências foi muito produtiva. Tivemos um questionamento sobre avaliação, que foi muito interessante para mim pois ainda não atuo em locais que possuem avaliações quantitativas formais.

Minicurso: A Rítmica e o Gramani

Já tive um considerável contato com a rítmica Gramani na Unicamp, mas foi muito bom fazer o minicurso. Pude conhecer uma abordagem diferente dos exercícios com Daniella Gramani e sua mãe, Glória Cunha, que ajudou a escrever alguns dos livros. Também foi muito legal descobrir detalhes da biografia do José Eduardo Gramani. Você já parou para pesquisar a biografia dos teóricos que utiliza? Quem foram Czerny, Hanon, Osvaldo Lacerda, Buhumil Med, aquele do canto? Não sei! Vou pesquisar (e talvez compartilhar).

Terceiro dia

Comunicações orais

Mais uma manhã com excelentes comunicações!

Mesa: educação em espaços de privação de liberdade

Gente, nunca achei que fosse dizer isso sobre algum evento, mas as mesas foram a melhor parte da JEEM! Essa foi com a professora Elenice M. C. Onofre e o rapper Renan Inquérito. O tema… olha, pude perceber que sou completamente ignorante sobre a educação em espaços de restrição de liberdade. Não se fala sobre isso! E precisamos falar, principalmente nessa época de tantos debates sobre a redução da maioridade penal. A professora Elenice falou bastante sobre a educação, reabilitação, trouxe questionamentos. Já Renato deu um show. Foi sensacional. Ele expôs sua prática com rap na Fundação Casa e, realmente, merece um post só para isso.

Gente, sério mesmo. Parabéns para toda a equipe da JEEM por essa escolha tão sensível de temas para as mesas, por levar o rap ao meio acadêmico. É uma verdadeira educação humanizadora. Deixou meu coração mais tranquilo depois de infelizmente fazer um curso com um professor que fez piada com violência doméstica, além de expressar um discurso pedagógico completamente retrógrado. Me conforta ver que existem pessoas que, ao contrário, estão pensando em diversas questões como educação especial, racismo, reabilitação do menor infrator e, mais do que isso, estão espalhando essa sementinha. Espero também espalhar a minha.

Grupo de discussão

Participei do grupo de discussão sobre teoria e práticas da educação musical em espaços diversos, onde demos continuidade ao debate sobre a educação em espaços de privação de liberdade.

Minicurso

Continuação do minicurso de rítmica Gramani.

Então…

É isso, gente. Fiquei super feliz por ter ido à Jeem, foi uma experiência muito boa. Também pude conhecer pessoalmente a Asami, embora tenho passado dias falando com ela sem saber que era ela, que vergonha! Não lembrava se tinha visto o nome no crachá e fiquei acanhada de perguntar. Mas no fim descobri e conversamos sobre o blog e outras coisas, fiquei super feliz! ❤ Ela até disse que gosta de ver meus posts sobre livros, haha, às vezes eu fico pensando “pô, será que alguém lê esses posts mesmo?”

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Até mais!

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