Filme: Whiplash (em busca da perfeição)

Olá! Hoje vou falar sobre o filme que tá todo mundo comentando: Whiplash (com o subtítulo brasileiro “Em busca da perfeição”). Foi o Leo que me recomendou, obrigada! ♡

O filme nos apresenta Andrew Neyman, baterista do Conservatório de Música Schaffer, de New York. Ele é um garoto tranquilo e tímido que participa de uma banda de jazz. Mas sua vida começa a mudar quando o grande “professor” do lugar, Terence Fletcher, enxerga um potencial nele e o coloca na banda de jazz de elite.

O filme dá um show no quesito musical, as interpretações são fantásticas e o drama é excelente. Até onde é aceitável abrir mão da sua vida para ter uma carreira musical? Quais os sacrifícios que você tem que fazer para estar entre a elite dos músicos?

Isso é o que eu tenho a dizer pra quem não viu o filme. Se você não viu, assista. Infelizmente não está passando em muitos cinemas, eu vi em São Paulo porque em Campinas não tem opção nenhuma. (edit: a Isa e a prof. Liana me falaram que está passando no shopping Galeria!) A seguir vou escrever um pouco mais sobre o enredo e pode conter spoilers.

Detalhes do filme no Filmow.

Trailer:


http://youtu.be/7d_jQycdQGo

Parênteses: Se você gosta de enredos envolvendo músicos, sempre é válido recomendar o dorama japonês Nodame Cantabile! Os personagens são estudantes de uma faculdade de música, então dá pra acompanhar também o drama (recheado de humor) de quem toca em orquestra e participa de acirradas competições.

De volta ao Whiplash.

Fletcher é um babacão. Ponto. Ele humilha os alunos fazendo comentários machistas, gordofóbicos e homofóbicos (vamos fazer uma pausa para um link sobre racismo e sexismo em orquestra, que é um assunto não muito comentado mas infelizmente mais comum do que se imagina). Isso não é engraçado, não é ok e está longe de ser didático. E conforme o filme avançava, as risadas da plateia foram diminuindo diante da grosseria dele. Na primeira tirada, quando ele diz que quer ver se a menina só está na banda por ser bonita, muita gente riu. Deixa eu enfatizar de novo que esse tipo de “brincadeira” não é aceitável. Também não é legal ele simplesmente interromper a aula de outro professor e chegar entrando como se fosse o rei da cocada preta. Pô, esse cara não tem nenhuma noção de nada, não???

Ele justifica seu comportamento contando a seguinte história: Charlie Parker, lenda do jazz, certa vez estava tocando com a banda, mas cometeu um erro e seu “companheiro” Jo Jones jogou um chimbal nele. A plateia toda riu, ele saiu humilhado e envergonhado e depois de um ano de muita prática, voltou e fez o melhor solo que alguém já tinha ouvido. Se Jo Jones não tivesse jogado o prato nele, Charlie teria se tornado uma lenda do saxofone? Fletcher acha que não. Então ele quer ser o Jo Jones dos alunos.

É claro que a vergonha muitas vezes funciona como estopim para querermos melhorar. Mas um professor não deve se valer disso. É um absurdo gigantesco que um aluno não consiga encarar o professor. Que um aluno sinta medo do professor. É absurdo também como ele faz os alunos competirem entre si. Um pouco de competição é saudável e incentivado (tem gente que fala que a gente não deve fazer competições com as crianças porque sempre alguém perde, aí também não, tem que ensinar a perder), mas do jeito que ele faz… Dá pra ver como não é saudável.

Andrew fica tão obcecado pela tal perfeição, ele quer tanto receber um elogio do professor, ser aceito, que começa a se tornar um babacão que nem ele. Pra começar, ele estuda até sua mão sangrar e eu acho que nem preciso falar que isso não é correto nem bonito, né? O principal ponto do estudo de um instrumento é minimizar o desconforto tocando!

Dá pra entender ele querer ser o melhor, se tornar uma lenda que nem seus ídolos – no fundo não é o que todos queremos? Abrir mão de ter uma vida “normal” pra alcançar seu sonho, largar a namorada, são escolhas. Mas quando, depois de tudo que acontece, ele aceita voltar a ensaiar com Fletcher, fica claro que eles são farinha do mesmo saco.

O filme é genial porque é isso mesmo que ele queria mostrar, esse lado competitivo dos músicos em busca de uma perfeição muitas vezes inalcançável. O mundo, as universidades, estão cheios de Fletchers. Infelizmente. Pra cada gênio que eles conseguem despertar, quantas carreiras arruinam? Quantos apenas desistem? Nem só de gênios é feito o mundo.

O final de Whiplash é simplesmente fantástico, triunfante. Quando Andrew mostra a que veio, todo mundo se empolga e vibra junto com ele e, de fato, é uma das melhores cenas musicais que já vi.

Mas eu estava torcendo pra ele fracassar.

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