Manifestação em Campinas: Verás que um filho teu não foge à luta!

Ou foge?

Sim, eu fui na manifestação hoje. Mas voltei consideravelmente cedo. Vou contar como foi. (off-topic necessário no blog)

Protesto em Campinas

Estou acompanhando as manifestações em SP pelo twitter desde semana passada. Vários amigos meus foram, participaram, sofreram a violência da polícia. Isso me motivou a participar. Cresci ouvindo meus pais falando “político é tudo igual”, “Brasil nunca vai melhorar”, “brasileiro esquece fácil”. Cresci acreditando nisso, desiludida com meu país e com a política. Por isso, ver o povo se unindo e tentando mudar o país me tocou profundamente.

Segunda-feira teve a White Monday na Unicamp, ato em apoio ao quinto ato de Sp. Gravamos um vídeo, abaixo. (dá pra me ver no vídeo, com muita dificuldade =p) Depois saiu um ônibus pra Sp. Queria ter ido mas não fui porque precisava estudar pra provas e terminar seminário.

Ontem à noite o prefeito abaixou a tarifa de ônibus de Campinas, R$ 3,30, pra R$ 3,00. Sim, o ônibus aqui era mais caro que em Sp. E vale lembrar que estudante universitário não paga meia.

E finalmente chegou o dia da manifestação. Alguns institutos da Unicamp, como a Faculdade de Educação, não tiveram aula. Tinha várias concentrações fazendo cartazes e vários ônibus sairiam dos institutos. Mas eu fui por conta própria porque tinha marcado de encontrar com o Tru.

Depois de ver o concerto da prática orquestral, estudar rítmica e fazer um cartaz, fui correndo pro centro porque ouvi comentários de que os ônibus iam parar às 15hs. Cheguei no centro por volta de 15:10, já tinha muitos lojistas fechando as portas e gente apressada fugindo, com medo mesmo. Passei pelo Largo do Rosário, onde as pessoas já começavam a se juntar e já tinham fechado a Glicério. Fiquei esperando o Tru numa rua próxima. Ele chegou por volta das 16hs e seguimos pro Largo.

Protesto em Campinas

Fiquei o tempo inteiro com o Tru, o pai dele, e mais alguns conhecidos que iam e voltavam. Tinha muita gente, muitos cartazes, muitas ideias, muitas reivindicações. Um pouco do que eu vi: Passe Livre. Fora Feliciano. Fora Dilma. Não à PEC 37. Abaixo a Nova Ordem Mundial. Desmatamento Zero. Protejam os animais. Corrupção não dá xp. Legalizem a maconha. Abraços grátis.

Protesto em Campinas

O clima era tranquilo, todos descontraídos fazendo cartazes, andando, fotografando. A única coisa que me incomodava eram os rojões e fogos de artifício que estavam soltando. Gente, mesmo barulho de bomba. Não soltem rojões em manifestações!!!

Faltava foco e liderança, como o Tru bem disse. E como muitos estão questionando também. Não é por causa dos 20 centavos, mas então estamos lutando pelo quê? O preço já baixou. Quando a luta acaba? Como a luta acaba? Ver o povo unido nas ruas por um ideial é lindo. Mas perigoso. Multidões são perigosas.

Umas 17hs encontrei a Su e a Bia tocando com o Maracatucá.

Protesto em Campinas

E o pessoal começou a andar. Fomos andando lentamente acompanhando o Maracatucá, até que chegamos à Glicério e o pessoal que estava parado com faixas começou a andar, então saimos andando na frente deles.

Protesto em Campinas

Continuamos andando e viramos na Aquidabã, um grupo de pessoas bloqueava as outras direções. Seguimos até a prefeitura.

Protesto em Campinas

Protesto em Campinas

Chegando lá, vimos que outros grupos de pessoas chegavam por outros lados. Estava bonito de se ver. Mas não queríamos ficar no meio da muvuca, então fomos abrindo caminho no meio da multidão e subimos uma rua. Dava pra ver a prefeitura, vi que tinha várias pessoas lá, subindo as escadas e tudo mais. A visão que eu tinha era esta:

Protesto em Campinas

Estávamos lá tranquilos, tinha gente subindo, tirando fotos dos nossos cartazes, tudo ok. Até que o pai do Tru fala pra gente correr. Eu vi um grande número de pessoas subindo correndo e comecei a correr com a mão no rosto, prendendo a respiração. (não tenho a menor ideia se isso adianta alguma coisa contra bomba de gás…??) A pior parte é correr e não saber por que estamos correndo. É ouvir barulho e não saber se é rojão ou se é bomba. O Tru pedia pra ficarmos calmos. Olhando pra trás, vimos a fumaça subindo e tivemos certeza de que eram bombas. Provavelmente tinha acontecido alguma coisa na prefeitura. Nessa hora eu senti medo. Meu maior medo era me perder deles e ficar sozinha na multidão. O pai do Tru me deu a mão e correu comigo.

Nos afastamos um pouco e vimos uns caras com barras de metal batendo nas portas das lojas. Gente começou a gritar. Tentamos nos afastar o máximo possível. As pessoas atrás da gente começaram a correr de novo e nós corremos juntos de novo. Resolvemos ir embora porque a coisa ia ficar feia. Descemos até o terminal mercado, onde felizmente tinha ônibus. Os ônibus estavam cobrando R$ 1,65.

Chegando em casa, comecei a acompanhar a manifestação em tempo real pelo G1. Ainda tá rolando. E as coisas não estão boas. Nem um pouco. Descobri o que acontece na hora em que fugimos. Soltaram rojões contra a prefeitura e a polícia respondeu com bombas de gás. Seguiram jogando pedras na polícia. Invadiram o Colégio Carlos Gomes pra pegar pedras. Quebraram a calçada. Quebraram os vidros dos pontos de ônibus. Saquearam lojas. A tropa de choque apareceu. A polícia e os manifestantes estão em confronto no sentido real da palavra. Muito tenso!!! Por que?! Estava tudo tão pacífico! E parece que o pessoal da Unicamp que foi com os ônibus ainda está lá!!

Não sei mais o que pensar. Não me arrependo de ter ido. Não sei se irei numa próxima manifestação. Não tenho a menor ideia do que vai acontecer no país. Não sei se vamos mudar o país. Mas uma coisa é certa, essas manifestações serviram pra me mudar. Vou ser mais politizada a partir de agora. Não vou mais me omitir.

Boa noite.

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