Balé: Alice no País das Maravilhas

Olá! Mais um post sobre ballet, porque teve muito Royal Opera House no Cinemark em março! Dessa vez vai ser um post mais pessoal e opinativo, porque Alice é algo muito especial pra mim. Meu nick no cifraclub é CheshireCat (apesar de não postar lá faz alguns anos) e quando criei o blog, em 2009, usava esse nick ao invés do meu nome.

Assistindo no cinema: um grave problema no Pátio Paulista!!

Assistir no cinema, como sempre falo, tem algumas vantagens. Por exemplo, no caso das óperas, a legenda. Em alguns casos, vídeos dos bastidores e explicações sobre o enredo e o compositor. A maioria das exibições são gravações, mas alguns casos em particular são transmissões ao vivo da Royal Opera House. Isso dá um gostinho a mais, você sabe que o balé está acontecendo naquele mesmo instante. Uma desvantagem é que nesses casos a transmissão acontece em um horário aleatório no meio da semana, tipo às 16hs de uma quinta-feira.

Foi esse o caso do balé da Alice. Que teve apenas essa transmissão ao vivo, sem nenhuma reexibição durante o fim de semana. Estava tudo muito legal, lindo, perfeito, como um sonho. A Alice encolhendo ao beber o conteúdo do frasco, efeitos muito bem feitos. Então tudo fica preto. Mudança de cenário, ok. Um minuto, dois minutos. Quatro minutos. Tudo preto com a música tocando. Cinco, seis minutos. Gente, tem alguma coisa errada! O público todo inquieto, olhando pra ver se tem alguém do cinema pra dar alguma explicação. Nada. Fantástico! Mandei um tweet pra Royal Opera House. Uns dois minutos depois disso, voltou a imagem.

Algumas pessoas acharam que foi um problema no satélite. Isso teria sido mais aceitável, problemas acontecem. Mas depois, no intervalo, um funcionário (não era o gerente, que não se dignou a aparecer para nos dar uma explicação) disse que foi problema no projetor, porque se fosse problema no satélite não estaria tocando a música. Problemas acontecem. Mas um problema no projetor não deveria acontecer, especialmente quando estamos pagando 60 reais (o triplo de uma sessão comum!). Não deveria acontecer de jeito nenhum quando é uma transmissão ao vivo, que não tem jeito de voltar pra rever o trecho perdido!!! É um absurdo!

Eu devo ser a pessoa mais azarada do mundo, porque vou no Cinemark Marketplace e acontece um erro e vendem os lugares que eu tinha comprado pra outras pessoas. Vou no Cinemark Iguatemi Campinas e não apagam as luzes depois do intervalo. Vou no Cinemark Pátio Paulista e dá problema no projetor.

Durante o intervalo, o moço disse que ao final da exibição poderíamos procurar o gerente para conseguir um ingresso para a próxima exibição da Royal Opera House ou ter o valor do ingresso devolvido. Maaaas… depois que terminou, a informação foi outra. Acho que eles perceberam que iam ter um prejuízo muito grande se devolvessem o dinheiro de todo mundo, então falaram que “ah, não tinha perdido tanto tempo do balé…” então o que fizeram foi dar dois ingressos cortesia pra cada pessoa que foi até a bilheteria fazer essa solicitação. Dois ingressos. Lembra que eu disse que o preço era o triplo de um ingresso normal? Ah, e é claro que esses ingressos de cortesia não valem pra Royal Opera House.

Não estou satisfeita, não. Espero não voltar ao Pátio Paulista, pelo menos para ver a ROH.

O balé

Mas agora vamos falar de coisa boa, vamos falar da iogurteira do balé! Esse é um balé contemporâneo, ao contrário de todos os outros que assisti, todos de Tchaikovsky: o lago dos cisnes, o quebra nozes e a bela adormecida.

Tem duas grandes diferenças: a primeira é que, por ser mais recente, ele pode aproveitar o melhor da “tecnologia” para gerar efeitos especiais. A Royal Opera House sempre coloca efeitos em suas apresentações, mas não dá pra colocar muito para não descaracterizar. E Alice é uma história que precisa de efeitos! Essa foi uma preocupação em sua concepção: a personagem precisa encolher, ficar gigante, descer por um buraco… é tudo muito mágico, muito fantástico!

A outra diferença é que normalmente os compositores, como Tchaikovsky, escreviam as músicas e depois pensavam na coreografia. Neste caso, a ideia do balé foi do coreógrafo Christopher Wheeldon, e ele convidou o compositor Joby Talbot (que, entre outras obras, compôs a trilha do filme O Guia do Mochileiro das Galáxias) para fazer a música. E o casamento entre os dois trabalhos foi incrível! Como disse Christopher numa entrevista que vimos durante o intervalo, era a música perfeita para o mundo da Alice. Em minha opinião, a música que faltou no jogo American McGee’s Alice.

Christopher se baseou no livro de Lewis Carrol e fez algumas adaptações. Achei particularmente muito melhor do que a versão da Disney u_u Vou falar um pouco sobre cada personagem, com direito a vídeos que encontrar no youtube!

A história e os personagens

A história, ao contrário do que conhecemos tão bem, começa não com Alice lendo um livro, mas com ela e suas irmãs em sua casa, conversando com o próprio Lewis Carrol, que tira fotografias. Alice está apaixonada pelo jovem jardineiro, mas sua mãe não aprova esse romance e despede o pobre menino. Enquanto os adultos jantam, Alice está arrasada. Mas Lewis Carrol tenta anima-la e acaba revelando ser um coelho! Hã?? Alice, obviamente, vai atrás dele e acaba indo parar no país das maravilhas! O interessante dessa cena é notar diversos elementos que depois aparecem no sonho da Alice…

Não vou falar sobre tudo em todos os detalhes, apenas algumas partes. A parte da duquesa e da cozinheira… essa parte não foi um sonho pra mim, mas sim um pesadelo. Com todas aquelas carnes, porco sendo moído, linguiças, sangue… argh. Passo.

O gato de Cheshire, meu personagem preferido… Ele não foi representado por uma pessoa, mas sim por um boneco baseado na ilustração original do livro. Achei legal a forma como seu corpo desaparecia e envolvia Alice, de um jeito muito divertido!

O chapeleiro… Aaaah, o chapeleiro! Meu humano preferido! Nesse balé ele não é um mad hatter, mas um mad tapper! (sapateador) Sim, ele sapateia! Foi uma ideia incrível, sério, genial, amei! (desculpem, esse review está muito coisa de fangirl mas não posso evitar) Um vídeo fala mais do que mil palavras:


http://youtu.be/G7asCVsVLeM

A lagarta… tem toda uma pegada árabe! Adorei como a dança foi feita de forma a simular os movimentos de uma lagarta, e como se estivesse tentando a Alice a aceitar o cogumelo… O bailarino disse na entrevista que é uma dança “for the ladies”, heeehehe! xp

Rainha de copas… ah, rainha de copas! Insana e imponente! Durante o balé ela faz aparições em um enorme vestido de madeira, empurrada pelos seus servos… até que triunfalmente desce dele para sua dança! E cabe dizer aqui que essa dança é uma paródia do adágio das rosas da Bela Adormecida de Tchaikovsky, em que a bailarina tem que ficar em um pé só enquanto cumprimenta seus pretendentes, que oferecem rosas a ela – a rainha de copas recebe tartes dos seus servos. (Cabe também o comentário do Blue: “Esse Tchaikovsky devia odiar mulher pra fazer essa cena”) A rainha foi interpretada pela Zenaida, bailarina que fez a Odette/Odila quando assisti o Lago dos Cisnes! Ela contou na entrevista que esse momento do adágio é meio assustador, porque requer muito equilíbrio, por isso fazer a dança da rainha de copas é libertador, já que cair faz parte! Se bem que eu acho que todo esse jeito desengonçado também deve dar trabalho para interpretar…


http://youtu.be/fjbHkvqul_Q


http://youtu.be/JTkIyYMP27c

Gente! Faltou falar sobre o Coelho Branco e a Alice! O coelho é interpretado pelo mesmo bailarino do Lewis Carrol… E tem alguma coisa meio perturbadora no jeito dele. De certa forma, ele me lembra um pouco o coelho de Donnie Darko… Já a Alice… ela é uma gracinha! Não é retratada com o cabelão loiro da Disney e o famoso vestido azul, mas sim com um cabelinho chanel e vestido roxo. Acho que combina bem mais com o jeito moleca dela! Neste vídeo tem um trecho que perdi :(


http://youtu.be/1o25LM7rtmU

Em geral, esse balé é divertido do começo ao fim! Se for exibido novamente, com certeza assistirei! :D Aliás… a Royal Opera House publicou um tweet meu na tela durante o intervalo!!! É amor demais!!! ❤❤❤

Para terminar, um vídeo com entrevista. Apesar dessa não ser a mesma bailarina que interpretou a Alice agora, os outros dançarinos são os mesmos. E tem várias cenas! Tem o gato de Cheshire!


http://youtu.be/UPSEA6dDmlU

Até a próxima apresentação da Royal Opera… Fausto, nos dias 20, 21, 23 e 25 de abril!

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2 Responses to Balé: Alice no País das Maravilhas

  1. AHHHHHHHHHHHHHH, me arrependo tanto mais tanto de não ter ido (tive que trabalhar ..). Pareceu tão fantástico, tão nonsense e maravilhoso, como uma boa interpretação do livro de Alice deve ser.
    hahaha ri horrores com a paródia do adágio de rosas da Bela Adormecida, pois está ainda muito claro na minha mente de quando fomos assistir (a bailarina quase caiu! S:).

    Ver mais sobre Alice me deu ainda mais vontade de fazer um visual lolita bem bonito, pois serei um coelinho e sempre me lembro de Alice. Espero vc neste domingo e aí vc me conta detalhes de Alice.

    VAMOS ASSITIR A FILLE MAL GUARDÉ (ALGO ASSIM o.o)?!

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