Canto Gregoriano

Olá! Eu sou completamente apaixonada pelo canto gregoriano. Gosto de latim e acho linda a solenidade desse canto. Por isso, sem dúvida alguma foi o tema que escolhi pesquisar para a minha prova de História da Música I.

Este post aqui é o resultado da minha pesquisa, que foi mais ou menos exatamente o que escrevi na prova (eu tenho boa memória). Tirei 10 ( ̄▽ ̄)ノ

Só um comentário antes do texto… Tem uma banda chamada Gregorian que canta mais ou menos no estilo do canto gregoriano. Basta ler o próximo parágrafo para entender o porquê desse “mais ou menos”. Mas a banda é muito legal mesmo assim, e vale conferir o post que fiz a respeito!

Canto Gregoriano

O canto gregoriano tem como principais características ser exclusivamente vocal e monofônico. Ou seja, uma única melodia vocal em uníssono deve ser cantada sem acompanhamento e harmonia de qualquer tipo. A expressão a capella vem justamente da tradição do cantochão ser cantado sem acompanhamento na capela. O mais importante nesse canto é o texto. Ele não tem rítmo definido.

A princípio, os textos litúrgicos – salmos e hinos – eram lidos numa cantilena reta, sem variações tonais. As finalizações das frases tinham pequenas variações mais solenes. Essa forma de cantar é denominada cantochão, do latim cantus planus ou canto plano, que indica sua forma reta, sem variação tonal. Dos fundamentos do cantochão é que surgiu o canto gregoriano.

O papa Gregório Magno reorganizou a Igreja e deu especial atenção ao canto. Formou um colegiado de religiosos que percorreu todas as regiões para colher informações e observar as práticas de cantos e trouxe tudo a Roma, onde o papa selecionou os mais adequados cantos para a Igreja, impôs regras e formulou a escola de canto de Roma. A forma gregoriana de cantar predominou por toda a Idade Média.

Os primeiros manuscritos para coral não tinham nada além de texto. As melodias deveriam ser aprendidas na prática e decoradas. Os primeiros sinais que apareceram foram os neumas, que indicavam uma subida (/) ou descida (\). O sinal de descida foi reduzido a uma linha horizontal ou ponto e chamado então de ponctum. A notação neumática foi desenvolvida no século oito e se popularizou no século nove. Diferentes regiões tinham jeitos distintos de escrever os neumas, então é possível identificar a região onde um manuscrito foi escrito. As primeiras notações mostravam apenas o número de notas e se elas se moviam para cima ou para baixo. Não há como determinar o intervalo exato das notas e em que nota a melodia começa, portanto servia apenas como um auxílio para um cantor que já conhecia a melodia.

A notação evoluiu incorporando quatro linhas para representar a altura das notas e precisar os intervalos. Essa evolução é creditada ao monge Guido d’Arezzo, que também inventou as sílabas musicas ut re mi fa sol la a partir do Hino a São João Batista. O canto gregoriano segue a dinâmica do texto, que impõe algumas pausas para respiração e para dar sentido à mensagem cantada. Para isso, eram utilizadas pequenas barras verticais. Para marcar a altura do canto, foram criadas as claves de Do e de Fa.

O canto gregoriano utilizava apenas oito modos: dórico, frígio, lídio, mixolídio e suas respectivas variações plagais. A extensão do canto gregoriano era a extensão normal das vozes masculinas. De acordo com uma regra de São Paulo, as mulheres deveriam ficar em silêncio na igreja. A melodia era composta de grande quantidade de graus conjuntos e alguns disjuntos, sendo o salto de terça o mais comum. Algumas melodias eram constituídas apenas de segundas, terças e notas repetidas.

A tessitura da melodia raramente ultrapassa a altura de uma oitava. Por isso, sua notação normalmente fica no limite das quatro linhas, mas era possível acrescentar linhas suplementares.

Alguns cantos eram expressos de modo antifônico, isto é, os coros cantavam alternadamente. Outros eram cantados no estilo de responsório, que se faz com o coro respondendo a um ou dois solistas.

O “problema” insolúvel do canto gregoriano é seu rítmo. A notação da Idade Média não dá indicação do valor das notas. De acordo com o princípio básico de interpretação rítmica estabelecido pelos monges da Abadia de Solesmes, todas as notas têm valor igual, exceto as notas pointuadas, que normalmente estão no final das frases e têm valor dobrado. Mas essas notas dobradas são uma invenção moderna e não aparecem nas fontes medievais. Portanto, o ritmo era livre, seguia as acentuações das palavras e o ritmo natural da língua latina.

O advento do Renascimento trouxe novidades musicais e o canto gregoriano desapareceu do cenário litúrgico público e permaneceu latente nos manuscritos e em poucos mosteiros sobreviventes desse período.

Bibliografia

Medieval music
O canto gregoriano
Uma breve história da música

Trabalho sobre canto gregoriano

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