Que música tocar em uma prova?

Opa! Hoje, às vésperas da prova de aptidão da Usp-Ribeirão Preto, resolvi escrever um post com dicas para escolher qual música tocar em uma prova, seja de vestibular ou concurso. Vou contar também como decidi quais músicas tocaria, pra quem tiver curiosidade de saber.

Primeiro de tudo, a dica mais importante é, obviamente, ler o regulamento/edital/manual. Eles são bem claros ao dizer o que esperam. Os concursos e provas para bacharelado em instrumento costumam ser bem específicos ao listar as obras: uma sonata clássica, um prelúdio e fuga, uma obra de autor brasileiro… Lembre-se de ler tudo, por mais extenso e chato que pareça. É incrível como eu vi mais de uma pessoa perguntando, no dia da prova teórica da Usp, se precisava levar pianista acompanhante ou se a universidade oferecia alguém pra tocar junto! E gente que não sabia se o curso de música precisa fazer todas as provas da segunda fase! Essas informações estão no manual!

Vou usar como exemplo o que a Unicamp, Unesp e Usp pedem para os candidatos ao curso de licenciatura tocarem, já que esse curso é mais “livre” na escolha do que o bacharelado. Conforme retirado dos manuais:

Unicamp

“Os candidatos das opções Licenciatura, Composição e Regência devem executar uma peça de livre escolha em qualquer instrumento.”

Unesp

“O candidato deverá executar uma peça de livre escolha, do repertório erudito ou popular. Uma cópia da partitura a ser executada deverá ser entregue para a Banca Examinadora, no momento da prova.”

Usp

“Execução, vocal ou ao instrumento indicado pelo candidato, de uma peça de livre escolha, do repertório erudito ou popular. A peça escolhida deverá ter um nível técnico compatível ou superior ao das Invenções e Sinfonias de J. S. Bach ou ao dos choros e valsas de Pixinguinha, Ernesto Nazareth e Edu Lobo.”

Usp-Ribeirão Preto

“Execução, em canto e/ou no(s) instrumento(s) escolhido(s) pelo candidato, de pelo menos duas peças de sua livre escolha, preferencialmente de períodos históricos ou estilos diferentes. Recomenda-se que o candidato traga três cópias das partituras das músicas que vai executar para deixá-las à disposição da banca examinadora”

Resumindo

Todas elas dizem “escolhe alguma coisa aí, se vira.”

Só a Usp é um pouco mais específica e diz qual o nível técnico esperado, e foi isso que eu levei em consideração ao escolher a peça que tocaria em todas. Aqui vem a segunda dica: converse com alguém experiente! De preferência, seu professor, considerando que você não é auto-didata. Ao conversar com o meu, ele disse que tocar música de compositor brasileiro é algo que “pega bem” na prova. Por isso, resolvi tocar uma ciranda do Heitor Villa-Lobos, que é meu compositor nacional preferido. Mas vocês não devem mais aguentar ouvir falar no Passa, Passa, Gavião, então vamos seguir com o assunto.

Lembram que eu disse pra ler o manual direito? Pois é, eu li mas digamos que esqueci que a Usp-Ribeirão Preto pede duas peças… Só reli o manual semana passada, e aí eis que chega a grande dúvida: faltando uma semana pra prova, que outra música vou tocar???

Aí, como estou com muita (sarcasmo) vontade de me mudar pra Ribeirão Preto, resolvi: “dane-se, vou tocar a To Zanarkand mesmo! (ノº□º)ノ ┻━┻ ” Mas, tirando o fato curioso de tocar uma música de game no vestibular, de repente até seria uma boa ideia! Então fui conversar com o Lí, meu amigo pianista, e depois fiz mentalmente uma lista de prós e contras entre a To Zanarkand e a Invenção a duas vozes nº 13, que é outra peça que eu tenho pronta e poderia ser uma boa.

To Zanarkand

Prós

  • É a música em que eu tenho mais confiança. Eu toco já faz quase quatro anos, acho. É sempre a primeira música que toco em algum piano público.
  • Já toquei em público muitas vezes
  • Não é uma música erudita. Pro curso de licenciatura, acho que é interessante balancear e não focar só em erudito ou popular!
  • Ela é mais expressiva do que a invenção, então eu posso tocar com toda a minha emoção, numa pega “Listen to my story, this may be our last chance.” (ainda tem a prova da Unicamp no fim do mês, mas)
  • Ela é mais lenta do que a invenção. Depois de tocar a ciranda, minha mão provavelmente vai estar tremendo. É melhor tocar uma mais lenta!

Contras

  • Mesmo sendo de estilos diferentes, ela deve ser considerada como no mesmo período da ciranda…
  • É uma música de game, desconhecida. Um avaliador mais conservador pode torcer o nariz.

Invenção a duas vozes

Prós

  • É Bach!!! Isso já deveria ser argumento suficiente.
  • É de um período diferente – barroco.
  • O nível técnico é superior ao da To Zanarkand.

Contras

  • Nunca toquei em público.
  • Não decorei.
  • Ela é rápida.
  • Podem achar que o meu perfil é “erudito demais” e talvez achem ruim para o curso de licenciatura.

Conclusão

Sempre digo que qualidade é melhor do que quantidade. To Zanarkand ganhou em prós x contras. Mas Bach ganha só por ser Bach. Temos um empate, então.

O argumento decisivo é: confiança. De nada adianta eu escolher uma peça superior se errar na hora por causa do nervoso – e isso foi o que aconteceu na aptidão da Usp-São Paulo, na qual eu não passei. Eu já toquei essa dupla de peças – o Passa, passa, gavião e a To Zanarkand – na audição da minha escola de música, mês passado. Comecei pela To Zanarkand. E notei que, sim, minhas mãos tremendo atrapalharam bastante a execução da ciranda. Por isso, vou começar por ela depois tocar a To Zanarkand, que é mais lenta.

Então esta é minha dica final: escolha a peça que te dá mais confiança! Não queira escolher uma com nível técnico muito hardcore, é melhor escolher uma que te deixe mais seguro. Estude com bastante antecedência, pratique tocando em público. O fato de ser uma prova aumenta o nervoso, mas você se sentirá melhor se já tiver tocado em público.

Então, é isso aí. Eu serei conhecida como a garota que tocou game music no vestibular! Vou pegar meu gavião e ir pra Zanarkand! Mas, antes disso, partirei pra Ribeirão Preto pra fazer as provas de aptidão e, na sequência, voltarei pra já começar a segunda fase da Unicamp sem descanso. Até semana que vem!

Bônus: To Zanarkand na audição da minha escola de música. Clique aqui pra ver o post sobre essa música, com download de mp3, etc e tal.


http://youtu.be/nVOGkdXpyNE

Não fui eu que upei o vídeo, então relevem o erro no nome do Nobuo…

Atualização

ADIVINHEM?

Mais detalhes aqui neste post :3

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11 Responses to Que música tocar em uma prova?

  1. Oi, tudo bem? Eu vou prestar licenciatura na unicamp esse ano, mas eu achava que a prova ia ser só em janeiro e vai ser no comecinho de outubro, em fim… tenho muito menos tempo do que eu imaginava pra preparar uma música, você acha que da pra passar pra segunda fase da prova de aptidão tocando uma música simples (estou pensando em tocar "Assim ninava mamã" do Villa Lobos)?

  2. Olá, Patricia,
    Primeiramente, meus parabéns pelo blog e pelo talento [e esforço]!
    Sou violonista há três anos e esse ano vou prestar o vestibular para música na USP-Ribeirão Preto (licenciatura), pela primeira vez. Pretendia tocar Bourée da Suite em Mi Menor (BWV 996) de Bach e Tempo de Criança, um choro de Dilermando Reis. O problema é que estava pesquisando e descobri no regulamento do vestibular de 2014 que é obrigatória a execução de apenas peças eruditas (http://www.ffclrp.usp.br/musica/files/manual.pdf). Fiquei intrigada porque você disse que tocou um tema de jogo e eu realmente queria tocar o choro. Então o regulamento mudou, ou o erudito, no caso só se refere apenas à tecnica (ou estou lendo o manual errado?! kk)?
    Obrigada por dividir suas experiências de vestibulando. Boa Tarde! =]

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