Contação de história: a lenda do guaraná

Oi! Mais um post sobre folclore, segunda postei duas músicas sobre o boto. Desta vez é uma atividade que fiz com as crianças nas oficinas de musicalização.

2013-04-27 08.05.07
sala de aula

Um pouquinho de contexto. Nessas aulas, somos vários professores e dividimos a aula em partes seguindo o modelo TECLA de Swanwick:

Técnica
Execução
Composição
Literatura
Apreciação

2013-04-27 08.04.44
roteiro de aula: minha letra é muito torta na lousa!

Para este semestre, decidimos trabalhar compositores brasileiros na parte de apreciação. Na aula anterior eu tinha mostrado o primeiro ato dO Guarani, de Carlos Gomes. Quando perguntei o que o nome lembrava, muitos falaram do time de futebol e outros pensaram no guaraná, alguém até falou que o guaraná tinha algo a ver com índios. Por isso pensei em contar a lenda do guaraná, fazendo essa ligação com o que pensaram e o mês do folclore. Gosto de contar histórias, sempre tento fazer algo interativo e musical. Ainda não sou uma graaande contadora, mas…

Ah! Vale fazer um breve parênteses para lembrar que apreciação não precisa ser necessariamente ouvir música sentado e quieto. Pode (e deve!) variar usando outros recursos como contação de histórias, teatro, dança, movimento!

Vou postar o roteiro com as atividades interativas em negrito e depois contar como aconteceu na prática! Adaptei um pouco a lenda, simplificando algumas partes e acrescentando outras.

Um casal de índios queria muito um filho, então foram até a floresta (paisagem sonora) e pediram que Tupã lhes desse um filho, ao que foram respondidos. (trovão)

O menino nasceu e todos os índios da floresta festejaram! (música indígena)

Os anos passaram e o menino cresceu. Um dia choveu muito (paisagem sonora) e o menino ficou chateado porque não podia sair da sua oca. Enquanto isso, sua mãe aproveitou para bater farinha no pilão para fazer tapioca. (chai chai)

No dia seguinte, o sol saiu e o menino ficou muito feliz! Ele saiu correndo pela floresta e foi comer frutas. Estava distraído e não ouviu um som se aproximando (chocalho). Era uma cobra! Ela picou o menino e ele morreu. :(

Todos ficaram muito tristes. Seus pais enterraram o menino perto das frutas de que ele tanto gostava e depois de alguns meses sua mãe reparou que havia nascido um pé de fruta com várias frutinhas redondas que pareciam muitos olhos curiosos. É o guaraná!

Na hora de contar uma história, é importante nunca ler um texto; fica mais dinâmico se você for falando com suas próprias palavras. (a contação é diferente da leitura de um livro, que serve pra estimular as crianças a lerem) Fazer uma história interativa também é muito legal, não tenha medo de improvisar e mudar detalhes se for preciso! :)

Fui contando a história. A primeira paisagem sonora foi a da floresta, pedi pras crianças fazerem os sons de uma floresta. Vento, animais… Tinha alguns animais bem selvagens nessa floresta! Ainda bem que os índios são amigos deles!

Depois veio a resposta de Tupã, um trovão representado pelo tambor, seguido pela festa dos índios para comemorar o nascimento do bebê… Pedi para todos ficarem em pé e festejarem. Coloquei uma música de um cd que comprei de um grupo indígena que estava se apresentando na rua na Virada Cultural de 2012, o Kausay Mantag. (foto abaixo) As crianças foram andando pela sala, batendo na boca como índios e depois batendo palmas. Até reclamaram quando a música terminou, porque queriam continuar a festa!

Virada Cultural 2012

O menino cresceu. Pedi para darem um nome a ele e o escolhido foi Gabriel. Aproveitei para relembrar a música Oito anos, que cantamos no semestre passado.

Veio o dia de chuva e pedi para fazermos a paisagem sonora de chuva que havíamos feito na semana anterior. Primeiro batemos apenas dois dedos lentamente na palma da mão, depois batemos mais dedos, as palmas inteiras, palma grave (com a concha da mão) e até os pés. Com todos batendo em tempos diferentes, dá um efeito muito legal!

Então chega a hora da tapioca… Ensinei a canção africana de trabalho chai chai, que peguei do livro Música africana na sala de aula, da Lílian Sodré, que comprei no V Encontro de Educação Musical da Unicamp (só aproveitando pra colocar uns links aqui). É uma canção pra bater com pilão marcando o ritmo mesmo. Como apareceram mais crianças do que esperava (dezoito!!), não tinha pego clava para todas, então batemos com a mão mesmo.

O momento trágico se aproxima, toco o chocalho e todas as crianças adivinham que é o guizo de uma cobra. Ao fim da história, alguns reconhecem a lenda do guaraná, falam que já haviam ouvido, falam outras histórias com personagens que morrem.

Perguntei que outras histórias folclóricas eles conhecem e tive muitas respostas! Que bom que nosso folclore está bem preservado! :)

Até a próxima!

Posts relacionados:


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *