Intervalos Musicais

Olá! Continuando com os posts de teoria musical, a lição de hoje é sobre intervalos. Entre outras coisas, eles são importantes para aprender formação de acordes, modos gregos e harmonia. Vamos lá?

Pré-requisitos:

Saber ler partituras
Algum conhecimento sobre escalas

Conceitos teóricos

Intervalo é o espaço que separa um som do outro, ou seja, a “distância” entre duas notas. O intervalo é ascendente quando a segunda nota é mais alta que a primeira, e descendente quando a segunda nota é mais baixa. (Lembre-se de que a altura na música se refere a graves e agudos, e não ao volume! Uma nota mais alta é mais aguda, e uma nota mais baixa é mais grave.)

Graus conjuntos são aqueles graus que são vizinhos, e graus disjuntos são aqueles separados por mais graus. Entre os graus conjuntos de uma escala diatônica, temos intervalos de tom e semitom. Escalas diatônicas são as escalas de sete notas, com cinco intervalos de tons e dois intervalos de semitons. Veja aqui a escala de Do Maior:

Classificação dos intervalos

Pela quantidade de graus que separam as duas notas, os intervalos classificam-se em:
Uníssono: dois graus idênticos
Segunda: distância de dois graus
Terça: distância de três graus
Quarta: distância de quatro graus
Quinta: distância de cinco graus
Sexta: distância de seis graus
Sétima: distância de sete graus
Oitava: distância de oito graus
Nona: distância de nove graus
Décima: distância de dez graus
E por aí vai.

Os intervalos simples são aqueles que vão até a oitava. Os que a ultrapassam são os intervalos compostos.

Os intervalos também são qualificados pela quantidade de tons e semitons que os separam.

Intervalos maiores, menores e justos:
2ª maior: 1 tom
2ª menor: 1 semitom
3ª maior: 2 tons
3ª menor: 1 tom e 1 semitom
4ª justa: 2 tons e 1 semitom
5ª justa: 3 tons e 1 semitom
6ª maior: 4 tons e 1 semitom
6ª menor: 3 tons e 2 semitons (ou 4 tons)
7ª maior: 5 tons e 1 semitom
7ª menor: 4 tons e 2 semitons (ou 5 tons)
8ª justa: 5 tons e 2 semitons (ou 6 tons)

Quanto à representação, os intervalos podem ser escritos com uma letra M maiúscula para intervalos maiores, m minúscula para intervalos minúsculos e J para intervalos justos.

Perceba que os intervalos menores são iguais aos intervalos maiores menos um semitom. Note também que, se você considera contando tons e semitons, ao abaixar meio tom você reduz um tom e aumenta um semitom.

Esses são os intervalos mais básicos. Quanto ao que está entre parênteses, é porque eu acho mais fácil calcular que 2 semitons = 1 tom. Mas, a rigor, são 2 semitons e não 1 tom, porque a distância de uma 6ª é de seis graus, o que deve dar 5 tons ou semitons e não apenas 4.

Agora não vou listar todos os outros intervalos e as distâncias, mas sim ensinar como calcular.

Intervalos Aumentados: É apenas elevar meio tom do intervalo anterior. Podem ser representados por aum ou apenas a.

intervalo aumentado: intervalo maior ou justo mais meio tom. Exemplo: 6ª aumentada: 4 tons e 2 semitons (ou 5 tons)
intervalo mais que aumentado: intervalo aumentado mais meio tom. Exemplo: 6ª mais que aumentada: 4 tons e 3 semitons (ou 5 tons e 1 semitom)
intervalo mais mais que aumentado: intervalo mais que aumentado mais meio tom. Exemplo: 6ª mais mais que aumentada: 4 tons e 4 semitons (ou 6 tons)
intervalo mais mais mais que aumentado: intervalo mais mais que aumentado mais meio tom. Exemplo: 6ª mais mais mais que aumentada: 4 tons e 5 semitons (ou 6 tons e 1 semitom)

Intervalos Diminutos: É apenas abaixar meio tom do intervalo anterior. Novamente, se você considera contando tons e semitons, ao abaixar meio tom você reduz um tom e aumenta um semitom, se houver tons. Por isso eu acho mais simples simplificar somando 2 semitons = 1 tom, como entre parênteses. Podem ser representados por dim ou apenas d.

intervalo diminuto: intervalo menor ou justo menos um semitom. Exemplo: 4ª diminuta: 1 tom e 2 semitons (ou 3 tons)
intervalo mais que diminuto: intervalo diminuto menos um semitom. Exemplo: 4ª mais que diminuta: 3 semitons (ou 1 tom e 1 semitom)
intervalo mais mais que diminuto: intervalo mais que diminuto menos um semitom. Exemplo: 4ª mais mais que diminuta: 2 semitons
intervalo mais mais mais que diminuto: intervalo mais mais que diminuto menos um semitom. Exemplo: 4ª mais mais mais que diminuta: 1 semitom

Identificando intervalos

Certo, eu sei que tudo isso parece confuso demais. Qualquer teoria sempre é mais difícil de entender se você estiver só lendo sem nenhum acompanhamento de professor. Mas tenha calma, vamos tentar ver como isso funciona de um jeito mais prático. Você pode “aprender a lidar” com os intervalos de dois jeitos.

O primeiro é decorando o número de tons e semitons dos intervalos básicos, e depois só fazer as contas para os intervalos aumentados e diminutos.

O segundo é decorar quais intervalos tem a escala de Do Maior, e usar esses intervalos como base na hora de contar tons e semitons. Veja só, os intervalos dessa escala são: 2ª maior, 3ª maior, 4ª justa, 5ª justa, 6ª maior, 7ª maior e 8ª justa.

Sendo assim, você sabe que o intervalo de do a re é uma 2ª maior. De do a re, temos 1 tom. Portanto, você sabe que uma 2ª maior tem como distância 1 tom. Da mesma forma, você sabe que o intervalo de do a sol é uma 5ª justa. De do a sol, temos 3 tons e 1 semitom. Portanto, uma 5ª justa tem 3 tons e 1 semitom. Deu pra entender o raciocínio?

Tudo bem, com notas naturais fica fácil… Mas e quando começam a aparecer sustenidos e bemóis, como nos exemplos que usei pra intervalos aumentados e diminutos, complica tudo? Bom, você pode continuar contando os tons e semitons da mesma forma. Mas tem uma dica pra fazer isso de forma mais fácil.

Primeiro, ignore os acidentes e descubra qual seria o intervalo. A seguir, note que um sustenido na nota de cima aumenta o intervalo em meio tom, e um bemol diminui em meio tom. Na nota inferior é o contrário: um sustenido diminui o intervalo em meio tom e um bemol aumenta em meio tom. Dobrados sustenidos aumentam ou diminuem dois semitons, e dobrados bemois aumentam ou diminuem dois semitons. Muito bem! É só ver quantos semitons foram aumentados ou diminuídos no intervalo e ver qual é o intervalo correspondente.

Um jeito simples de fazer isso é usando suas mãos para representar a distância. Use as mãos para representar um intervalo: a mão de cima é a nota superior, e a mão de baixo é a nota inferior. Veja se os acidentes aumentam ou diminuem a distância entre as notas. Usar as mãos para representar essa alteração ajuda a entender melhor o que se passa. É assim:


Obrigada pela demonstração, Yuna. Desconsiderem o troço azul Kimahri ali atrás.

Veja alguns exemplos (eu nunca soube desenhar mão direito, então vou usar mãos de boneco de pano…):

Queremos descobrir qual o intervalo de fa a la#. O intervalo de fa a la tem 2 tons, portanto é uma 3ª maior. O # no la aumenta a distância em meio tom, então subimos a mão superior. Um intervalo maior mais meio tom é um intervalo aumentado.

Querermos descobrir qual o intervalo de la♭ a re#. O intervalo de la a re tem 3 tons e 1 semitom, portanto é uma 4ª justa. O # no re aumenta a distância em meio tom, então subimos a mão superior. Um intervalo justo mais meio tom é um intervalo aumentado. O ♭ no la aumenta a distância em mais meio tom, então baixamos a mão inferior. Um intervalo aumentado mais meio tom é um intervalo mais que aumentado.

Queremos descobrir qual o intervalo de si♭ a do♭. O intervalo de si a do tem 1 semitom, portanto é uma 2ª menor. O ♭ no si aumenta a distância em meio tom, então baixamos a mão inferior. Um intervalo menor menos meio tom é um intervalo diminuto. O ♭ no do diminui a distância em meio tom, então baixamos a mão superior também.  Um intervalo diminuto mais meio tom é um intervalo menor. Note, pelas mãos, que a distância é a mesma que havia no começo. Isso é importante! Quando há uma mesma alteração em ambas as notas, o intervalo é igual ao intervalo dessas notas sem acidentes.

Exercício

Bom, espero que tenha dado pra entender. Mas pra realmente assimilar a teoria, só tem um jeito: praticar. Então vou colocar como exercício alguns intervalos para vocês classificarem. A resposta está nos comentários.

É isso aí. Espero que tenha dado pra entender. Qualquer dúvida, é só perguntar nos comentários. Até a próxima!

Posts relacionados:


19 Responses to Intervalos Musicais

  1. Pingback: Tweets that mention Intervalos Musicais | Nocturne in the Moonlight | Nocturne in the Moonlight -- Topsy.com

  2. Olá Patrícia! Não sei se você ainda verifica esse blog, mas não custa tentar =] – Estou me preparando para vestibulares no final do ano e, visto que você já passou por isso, gostaria de saber de ti quais livros didáticos (principalmente aqueles recheados de exercícios) você pode me recomendar. Estou me preparando com a ajuda de um professor, mas ainda me falta material para o estudo em casa. Ainda estou em um estágio intermediário no assunto teoria, mas qualquer ajuda já vale! Agradeço o espaço e parabéns pelo blog! Já tirei uma porção de dúvidas por aqui! o/

    • Oi, Guilherme! Você vai prestar o quê e onde?

      Nos comentários deste post tem a lista de todos os livros que li pro vestibular: http://nocmoon.com/2012/02/provas-praticas-de-apt

      O manual do vestibular que você prestar normalmente tem uma lista de livros recomendados. Não sei te recomendar nenhum livro de teoria recheado de exercícios, infelizmente :\ Aprendi com apostilas e exercícios avulsos passados pelo professor. Mas acredito que o livro de teoria do Osvaldo Lacerda seja muito bom.

      Bons estudos!

      • Então, vou prestar Unesp, hab. em Composição. Li seu post sobre a prova de aptidão de lá e confesso que fiquei meio desanimado quanto à de percepção… rsrsrsrs – Mas já "esperava" algo complicado. =[

        O livro que você se refere, do Osvaldo Lacerda, acredito eu que seja o que eu estou estudando (Compêndio de Teoria Elementar da Música). Realmente aprendi muita coisa bacana lá! Mas me sinto bem inseguro quando tenho que aplicar algumas coisas como intervalos harmônicos e inversões. Ou seja, pra ter segurança me falta prática.

        Agradeço bastante a resposta! E vou dar uma olhada na lista que você postou!

        • Você vai prestar só a Unesp? Não acha mais seguro prestar outras universidades também? De repente você vai mal na aptidão de uma mas vai melhor em outra, sem falar que é uma boa experiência que ganha.

          E prestar só a Unesp é uma opção meio estranha, se me permite a intromissão. Dentre as três que eu conheço, ela é a que tem menos… não sei como dizer, "status"? Não quero dizer que seja uma universidade ruim, mas foi o que eu percebi conversando com meus veteranos. No final, passar em uma universidade pública é mais status do que outra coisa, já que as particulares são inegavelmente melhores no que se refere às condições do lugar. Sei lá, já conheci duas pessoas que largaram o curso na Unesp pra fazer Unicamp. São só umas ideias pra você refletir.

          Não se preocupe demais com harmonia mais avançada. A prova que ferra mais na teoria é a Usp-SP, a da Unesp era até bobinha (apenas longa demais, como você deve ter lido) e a Unicamp está pensando em retirar a prova teórica do vestibular (não concordo com isso)

          • Patrícia, primeiramente, agradeço as dicas! É sempre bom ouvirmos as opiniões de quem passa/passou por aquilo que pretendemos passar, portanto, muito obrigado, de verdade! =]

            A escolha da Unesp veio após uma conversa com meu professor. Discutindo sobre os cursos disponíveis na área (uma vez que não pretendo fazer um curso específico de violão, pois não há algo que combine com o que quero tocar), ele me falou tanto da Unesp como da Unicamp, como sendo ótimas universidades no ensino de composição. Ele também mencionou a Usp-SP, mas com certa "parcimônia", pois, segundo ele mesmo, não é um curso atualizado ou de grande valência quando comparado aos outros (além de não haver essa especificação no vestibular). Portanto, me sobraram Unesp e Unicamp, até porque não tenho recursos pra bancar uma universidade particular e também não tenho direito ao ProUni. Essa falta de recursos também me fez escolher a Unesp, pois moro mais próximo dela do que da Unicamp. Não tenho grana pra repúblicas ou morar sozinho por enquanto… Entendo o menor status reservado à Unesp, (acho até que isso acontece com todos os cursos quando ela é comparada com Unicamp e Usp-SP), mas é a mais viável no momento.

            Infelizmente a Unesp não disponibiliza provas anteriores de habilidades, senão poderia ir lá dar uma treinada… A última que consegui foi a de 2007. Será que mudou muita coisa delá pra cá? – E já sobre a Unicamp retirar a prova teórica do vestibular, sobraria o quê? Apenas percepção e análises?

          • Entendi sua escolha. Só queria frisar de novo que não quis dizer que a Unesp seja uma universidade ruim, já que não tenho como julgar isso. Eu mesma fiquei em dúvida entre a Unicamp e ela, pela minha vontade de morar em São Paulo, e quando perguntei para um veterano qual ele achava melhor pro curso de licenciatura, ele disse que não tem como saber o que esperar, os cursos de música são uma caixinha de surpresas.

            Mas, voltando, a USP-SP tem, sim, a opção de composição no vestibular. A que não tem é a USP de Ribeirão Preto, que meio que aboliu todas as subdivisões do curso de música.

            Vou te dar o mesmo conselho que dei pra um amigo… Primeiro você estuda, presta o vestibular, ganha experiência, e depois, se passar, pensa onde estudar e como vai fazer pra morar. Tem várias pessoas na minha sala que moram longe e conseguiram moradia ou bolsa auxílio da Unicamp. Realmente acho que compensa você prestar Unicamp e/ou Usp também. Pense nisso!

            Não cheguei a olhar a prova de 2007 da Unesp, mas eu fiz um post falando questão por questão da prova do ano passado. Não sei se chegou a ver – fica difícil eu saber o que você leu quando você comenta sobre vestibular num post sobre intervalos =p

            Acredito que não vai ter nem percepção e nem análise, mas apenas a prova de instrumento e entrevista (que é importante nos cursos de licenciatura e composição).

          • Entendi!!! Estou pensando realmente nas possibilidades… Ainda falta um tempo para os vestibulares começarem, mas realmente o melhor nesse caso é atirar pra tudo que é lado e ver no que dá (atirar com consciência, é claro). O que mais me desconforta é a questão da dificuldade mesmo. Ainda tem um bom pedaço de chão a ser percorrido e às vezes bate aquele desânimo. A sensação é que tenho que estudar muita coisa em pouco tempo, mas acho que isso deve ser normal.

            Esse post seu eu cheguei a ler (até vi sobre a dificuldade em relação à prova de percepção), mas postei aqui porque estava tirando uma dúvida sobre intervalos e acabei por sair escrevendo onde achei mais rápido… Rsrsrs. Perdão se te confundi ou fiz besteira! =P – Ainda sobre o post do vestibular da Unesp, vi que você mesma disse que a prova teórica era menos complicada do que a da Usp. A questão é que, visto pelos seus comentários e posts no blog, você conhece bem do assunto, então, como dificuldade é relativa, não valeu lá de tanta coisa assim. Rsrsrsrs… Quer dizer, sei que uma será menos difícil do que a outra, mas ainda assim ambas serão muito difíceis! XD

            Vou dar uma pesquisada nessas questões de bolsa auxílio da Unicamp. Valeu pela dica!

          • Isso é normal, sim. Eu sentia exatamente a mesma coisa.

            Bom, você pode ver a prova da Usp e imaginar que a da Unesp vai ser mais fácil. Mas, claro, não dá pra garantir porque prova teórica de música é sempre uma surpresa… O melhor mesmo é se preparar pra algo no nível da Usp. Se estiver mais fácil, sorte a sua! =p Mas, acima disso, é melhor se focar na prova prática porque é ela quem elimina os candidatos.

  3. olá Patrícia! gostei desta explicação, pois estou fazendo um curso basico de musica e não estava entendendo nada deste assunto. ai estudando neste blog consegui enteder os intervalos. DEUS TE ABENÇÕE.

    • Patrick, sei usar cifras pra representar acordes, mas não notas isoladas… fica complicado explicar intervalos com essa notação. Sugiro fortemente que você aprenda a ler partitura, porque fica muito mais simples entender teoria musical assim. Eu escrevi tutoriais pra aprender a ler partituras de um jeito bem fácil, tem os links no começo do post.

  4. Queria agradecer ao post, foi realmente muito útil para mim. Sou pianista a 5 anos e estou estudando para prestar vestibular para a Belas artes de curitiba (EMBAP) e para a UFPR, que contam com planos complicados para provas específicas, além das práticas. MORRIA DE RAIVA por não entender direito os intervalos e não conseguia classificá-los, mas após ler isso me ajudou muito, o método da mão é perfeito!! Obrigado, mesmo!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *